Qual a intenção da pesquisa Badra ao “inventar” candidatura de Anderson Ferreira a governador?
Instituto botou nome de Anderson no questionário da estimulada sem ele ser candidato.
A pesquisa divulgada pelo Instituto Badra na terça-feira chamou atenção por um detalhe difícil de ignorar: a inclusão de Anderson Ferreira (PL) na pesquisa estimulada para governador de Pernambuco. E aqui cabe um questionamento legítimo: por que incluir como opção de voto um nome que não é candidato, nunca anunciou candidatura ao governo e sequer colocou seu nome à disposição para disputar o Palácio do Campo das Princesas em 2026?
Na modalidade estimulada, o instituto apresenta ao entrevistado uma ficha com os nomes dos candidatos. Ou seja, não foi o eleitor quem lembrou espontaneamente de Anderson Ferreira. Foi o próprio instituto que decidiu colocá-lo entre as opções. O resultado mostrou João Campos com 44%, Raquel Lyra com 41%, Anderson Ferreira com 6% e Ivan Moraes com 0,8%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, João e Raquel aparecem tecnicamente empatados.
Na minha avaliação, a inclusão de Anderson Ferreira na estimulada distorce o cenário real da disputa. Se Anderson não é candidato, não faz sentido apresentá-lo como alternativa ao eleitor. Em Pernambuco, é público e notório que parte significativa do eleitorado identificado com a direita tende a migrar para Raquel Lyra na ausência de um candidato competitivo desse campo político. Ao incluir Anderson na ficha da pesquisa, o instituto acaba fragmentando esse eleitorado e alterando o resultado final do levantamento.
Por isso, a pergunta continua sem resposta: qual foi a verdadeira intenção do Instituto Badra ao incluir um candidato que não existe na disputa? Se Anderson aparecesse na pesquisa espontânea, não haveria qualquer questionamento. Mas colocá-lo na estimulada, como se fosse efetivamente candidato ao governo, produz um cenário artificial que, na minha opinião, acaba beneficiando João Campos e prejudicando Raquel Lyra. Mais do que os números divulgados, é esse critério que merece ser debatido.



