“Time de Lula” em Pernambuco troca reeleição do presidente por eleição de João Campos


Opinião

Já está cansativa a insistência dos apoiadores de João em Pernambuco em anunciar, semana após semana, uma nova data para a vinda de Lula ao estado. Dirigentes do PT e lideranças do PSB confirmam a agenda, a data chega e Lula não desembarca. Essa sucessão de anúncios passa a impressão de uma estratégia para manter a militância de João mobilizada com a sensação de que o presidente está chegando, mesmo quando nada está definitivamente fechado.

Neste sábado, 19, durante entrevista a Juliana Lima, na Rádio Pajeú, o senador Humberto Costa disse que Lula definiria naquele dia se viria ou não a Pernambuco. E há um dado da pesquisa Quaest que merece atenção acerca do potencial de voto em Raquel. Entre a esquerda lulista, esse potencial é de 49%. Entre a esquerda não lulista em Pernambuco, chega a 50%. Os números mostram que existe uma parcela relevante desses dois segmentos que admite votar na governadora e pode não assimilar a presença de Lula no palanque de João.

O dilema está justamente aí. Ao vir a Pernambuco para apoiar João, Lula fortalece o candidato do PSB, mas também entra diretamente em uma disputa contra Raquel, com quem mantém relação institucional de parceria desde 2023. E isso pode ter custo eleitoral para o próprio presidente em um estado onde uma parcela importante do eleitorado admite votar na governadora.

O cenário nacional reforça a preocupação. Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro, Flávio Bolsonaro apareceu com 42% contra 40% de Lula em um eventual segundo turno, dentro da margem de erro. Se a prioridade do grupo que se apresenta como “time de Lula” em Pernambuco passa a ser a eleição de João, fica uma pergunta inevitável: até onde vale colocar o presidente no palanque de João em uma disputa estadual que pode afastar parte de seus próprios eleitores?

Para João, a presença de Lula é um reforço político. Para Lula, significa assumir uma posição mais clara contra Raquel. E fica a impressão de que, em Pernambuco, alguns daqueles que dizem ser o “time de Lula” estão mais preocupados com a eleição de João do que com a própria reeleição do presidente.

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