Sob o comando de Manoel Enfermeiro, Câmara de Serra Talhada protagoniza um dos maiores vexames da história


A Câmara de Vereadores de Serra Talhada entrou para a história. E não é uma história da qual a cidade possa se orgulhar. Em uma das cidades mais importantes do Sertão de Pernambuco, vereadores governistas, por submissão e obediência política à prefeita Márcia Conrado, tentaram orquestrar um plano para atingir diretamente seu principal adversário político, o ex-prefeito Luciano Duque.

A arma escolhida foi a rejeição das contas de 2019 de Luciano Duque. O detalhe é que o Tribunal de Contas de Pernambuco havia emitido parecer prévio pela aprovação das contas. Mesmo assim, a maioria da Câmara ignorou o entendimento do órgão técnico e votou pela rejeição, uma armadilha orquestrada para tentar impedir a reeleição de Duque na Alepe. Mas a tentativa caiu por terra no Tribunal Regional Eleitoral. Nesta semana, o Pleno do TRE-PE, por unanimidade, afastou a inelegibilidade e confirmou a candidatura de Luciano.

E agora vem a ironia. Os mesmos vereadores que ajudaram a arquitetar essa operação política estão, segundo o cenário que se desenha em Serra Talhada, assombrados com o futuro. Márcia Conrado está politicamente enfraquecida e enfrenta dificuldades para construir uma sucessão em 2028. Também não demonstra, neste momento, a mesma força para garantir uma votação expressiva aos seus candidatos na eleição de outubro.

O poder, como se sabe, é passageiro. E esses vereadores já parecem enxergar a mudança de vento. O mais curioso é que não demorará muito para que alguns dos que hoje tentaram prejudicar Luciano Duque estejam correndo atrás dele, buscando espaço, apoio e sobrevivência política. É a velha política do interesse próprio: hoje se combate, amanhã se pede abrigo.

É claro que política exige diálogo. Divergências precisam ser superadas e pontes precisam ser construídas. Mas há limites. Se um dia Luciano Duque voltar à Prefeitura de Serra Talhada, ou se alguém do seu grupo voltar a comandar a cidade, caberá a ele decidir quem estará ao seu lado. E, em respeito ao povo de Serra Talhada, seria lamentável acolher aqueles que participaram de uma articulação tão baixa, jogando o nome do Legislativo no esgoto.

Serra Talhada é maior do que isso. E a atual Câmara, sob a presidência de Manoel Enfermeiro, do PT, corre o risco de ficar marcada justamente por esse episódio: uma legislatura que, em vez de demonstrar independência, preferiu se curvar ao poder de ocasião para tentar atingir um adversário.

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