Sertão tem 17 reservatórios em colapso; um fica no Pajeú


Do Diário de PE – A situação hídrica de algumas cidades de Pernambuco deve ser observada com alerta neste início de ano. Segundo o Geoportal da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), o estado está atualmente com 23 reservatórios em situação de colapso, sendo 20 barragens localizadas em 13 cidades declaradas pelo governo estadual em situação de emergência em razão da escassez de chuvas.

Conforme o Geoportal da Apac, desse quantitativo de barragens em colapso, que é quando o acúmulo de água é menor que 10%, 10 têm como uso principal o abastecimento humano, como é o caso de Jucazinho, sexta maior barragem do estado que conta atualmente com apenas 0,83% da capacidade.

Com relação ao outros reservatórios em colapso, sete são destinados principalmente para o combate a secas, três para irrigação, dois para regularização de vazão e um para defesa contra inundação, como é o caso de Serra Azul, localizado em Palmares, na Mata Sul, com 9,92%.

Segundo o coordenador da unidade de monitoramento de recursos hídricos da Apac, Wagner Felipe, essa quantidade de reservatórios em colapso já era esperada, pois a maioria estão localizados no Sertão do Estado. “Essa grande quantidade de reservatórios em colapso já era esperada, porque as chuvas nas regionais foram quase dentro da média esperada. Contudo, para que esses reservatórios, principalmente no Sertão, venham a adquirir um volume considerável, são necessárias grandes quantidades de chuvas, que são aquelas chamadas de torrenciais que, infelizmente, causam danos nas cidades, mas que depois vão escorrer para os reservatórios”, explicou.

Desse total de reservatórios em colapso, 17 estão localizadas no Sertão do Estado, quatro no Agreste, além de um localizado na Mata Norte e outro na Mata Sul. Três destes quantitativos estão situados em municípios que não estão em emergência por falta de água.

Outro ponto destacado por Wagner Felipe que pode explicar a situação desses reservatórios é a questão do solo dessas regiões mais secas, no qual tem uma capacidade de infiltração mais rápida em comparação aos da Região Metropolitana do Recife (RMR), que chegam a encharcar com mais facilidade, ajudando no escoamento do líquido para as bacias e, consequentemente, para os reservatórios.

Reservatórios com 0% de água

Atualmente, o estado conta com 11 reservatórios com menos de 1% da capacidade, com sete barragens registrando 0 m³ de água acumulada. Todas as barragens com 0% da capacidade estão localizadas no Sertão, e tem como uso principal o abastecimento humano e o combate a secas.

Com relação aos sete reservatórios com maior capacidade de armazenamento, quatro estão em situação de colapso, como é o caso de Entremontes (3º maior do Estado) com 0,84% da capacidade; Serro Azul (4º maior) com 9,92%; Jucazinho (6º maior) com 0,88%; e Chapéu (7º maior) com 0% da capacidade.

“Com relação a Jucazinho, que hoje está com uma pressão muito baixa e pouca acumulação, nós temos algumas ações em andamento. A primeira delas é que, até o final do mês de janeiro, vamos colocar água do São Francisco para o sistema que atende Riacho das Almas, Cumaru e Passira”, explica Flávio Coutinho, diretor de Produção e Planejamento Operacional da Compesa.

Os dois maiores reservatórios do estado, Engenheiro Francisco Sabóia e Serrinha II, localizados respectivamente em Serra Talhada e Ibimirim, estão com a capacidade girando em torno de 30 a 40%. Vale destacar que ambas as barragens têm como uso principal a regularização da vazão de água nas localidades.

Já a barragem Carpina (Lagoa do Carro), quinta maior do estado, está na situação de pré-colapso, que é quando o nível da água está entre 10 e 30% da capacidade.

Se comparar aos números levantados pelo Diario de Pernambuco no mês de agosto de 2025, há uma piora na situação hídrica das barragens, aumentando de 16 para 23 o número de reservatórios em colapso e diminuindo de 25 para três o número de barragens vertendo.

Apesar desse quantitativo, Wagner Felipe destacou que é importante observar, para base de comparativo, as capacidades de cada barragem, pois em algumas situações, reservatórios com certa porcentagem de água podem ultrapassar em metros cúbicos alguns que estão com porcentagem maior.

Confira a situação das barragens, segundo a Compesa:

JUCAZINHO: 0,82% – ETA Cumaru (Cumaru e Passira), EEAT 07 Jucazinho (Salgadinho), EEAT 08 Jucazinho (Casinhas e Surubim) e EEAT 09 Jucazinho (Frei Miguelinho, Santa Maria do Cambucá, Toritama, Vertentes, Vertente do Lério).

POÇO FUNDO: 2,37% – ETA Poço Fundo 2 – Jataúba e Distrito de Poço Fundo (Santa Cruz do Capibaribe)

Atualmente recebe água da Adutora do Alto Capibaribe (água vinda do Rio Paraíba que é perenizado pelo São Francisco através da Transposição do Rio São Francisco). Por isso não deve entrar em colapso.

DUAS SERRAS: 7,08% – ETA Poção – Poção

A Compesa informou que está dando andamento a licitação de uma obra de derivação da Adutora do Agreste para eliminar o rodízio de água da cidade.

GOITÁ: 9,41% – ETA Feira Nova – (Feira Nova) e ETA Guadalajara, Distrito de Guadalajara (Paudalho)

Trata-se de uma barragem de contenção de enchentes, que geralmente fica em níveis baixos. O período chuvoso deve ocorrer no começo do primeiro semestre deste ano.

RANCHARIA: 0% – Distrito de Rancharia (Araripina).

Status atual: em Colapso, abastecido exclusivamente por carro pipa.

BARRIGUDA: 3,01% – Área de Abastecimento – Distrito de Nascente (Araripina).

Status atual: pré-colapso.

O abastecimento será suprido pelo Sistema Integrado Lagoa do Barro.

SÃO JOSÉ II: 7,41% – São José do Egito.

São José do Egito saiu do rodízio com ampliação do uso da Adutora do Pajeú, operada com água do Rio São Francisco.

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